Eu vim morar em São Paulo, mas os meus primeiros dias morei em Jundiaí, uma cidade do interior do estado, bem sussa, discreta e com muito verde para olhar. Enfim, uma cidade que contrasta com a megalópolis que é Sampa, porém, foi a cidade que me recebeu.
Na minha chegada fui recebido pelos pais do Leandro, descendentes de italianos que trabalharam muito para ter o que têm, e que agora podem usufruir uma vida ótima com uma família bem constituída. Além do Leandro, também estava me esperando o Rodrigo, com quem também fizera amizade pela internet graças ao Lê.
Fui informado essa noite de que ia ficar na casa do Vinícius -cunhado do Lê- e não na casa da avó, mas tudo bem, o que eu precisava era um lugar para ficar enquanto achava outro fixo. "Cadê o gringo", foram as primeiras palavras que ouvi do Vinícius.
Cheguei na casa dele com muito sono, pois não dormira nada durante o vôo, então tomei banho e deitei no colchão para dormir. A casa era meio esquisita, porque era um local comercial que de repente virou casa, o mais engraçado disso é que tinha duas portas de entrada, uma ao lado da outra, separadas por uma coluna.
Para não incomodar tanto, coloquei o colchão em um dos espaços vazíos da casa e não no quarto do Vinícius e o pai dele. Finalmente dormi uma ou duas horas, quando o Vinícius chegou em casa, dizendo que não era hora de dormir e que a gente tinha que sair e dar uma volta para conhecer a cidade. Legal, ele estava sendo amável com o gringo.
Não me deixou trocar de roupa, então saí na rua de pijama, afinal a gente só ia ao mercado comprar algumas coisas para levar para a cunhada dele. Só quando estava no carro fiquei sabendo que a casa da cunhada ficava numa favela, o Jardim São Camilo, a única que existe em Jundiaí. Para mim era muito legal olhar para essa realidade da qual eu sou distante e que está presente no meu país também.
Chegamos na favela, um lugar tranquilo, até demais, e com a típica arquitetura das favelas latinoamericanas, construções simples feitas umas sobre outras em terrenos irregulares. Lá nos recebeu a cunhada do Vinícius, com uma criança no colo de uns dez dias e outra de três anos. A porta e as janelas da casa estavam estouradas: "foi a polícia, procurando droga", falou o Vi.
No meio da minha ignorância, comecei a ouvir uma água correndo, perguntei: "tem um rio lá embaixo?" o Vinícius riu e falou: "Não. É esgoto, um rio de merda", nesse momento senti-me como um idiota. Saímos de volta para casa e no caminho tinha uma viatura da Polícia Militar que nos parou. Minutos depois estávamos o Vi, a Luana (irmã do Leandro) e eu, com as mãos encostadas na parede, pernas separadas, eu, de pijama... muita informação para o meu primeiro dia no Brasil.
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