Os primeiros dias foram de adaptação pois morava com o Vinícius, que era um cara de vinte e sete anos, tatuado, com dois filhos -um de cada mulher-, sem trabalho, viciado em maconha e apaixonado por uma menina de dezoito anos (a Luana); e o pai dele, Cláudio, um alcoólatra, socialista, que "trabalhava" na política, tinha várias namoradas, um bar, e torcia para o Corinthians. Todos num mesmo quarto.
Eis a minha nova realidade. Mas estou sendo muito ruim, afinal foram eles os que abriram as portas da sua casa para eu ficar. O Vinícius e a Luana brigavam muito, dia após dia, e as brigas eram fortes. Então fiquei meio desconfortável pois o Cláudio já estava sentindo que a casa não era mais dele, tinha um gringo no seu quarto e uma menina brigando com o seu filho o tempo todo.
Aliás, eu também estava cansado de acordar chapado todos os dias por causa da maconha, pois as sessões começavam as 8h30 e acabavam por volta das 23h. Também ficava com medo de o Corinthians perder, pois o Cláudio chegava em casa bêbado e com o time perdendo, tinha medo de ele querer bater em mim.
Fui me sentindo mais desconfortável e falei para o Leandro para eu sair de lá. A Fátima, tia do Leandro e vizinha dele, oferecera a casa dela para eu mudar-me. Depois de duas semanas na casa do Vinícius, saí de lá e mudei-me para a casa da Fátima.
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