terça-feira, 8 de junho de 2010

Calor de Lar

Às duas semanas de ter chegado no Brasil, mudei para a casa da Fátima, uma senhora morena, gordinha, muito amável e carinhosa, casada com Olímpio, trinta anos mais velho do que ela e que já sofre as consequências da idade.

Nessa casa se respirava um ar diferente, mais tranquilo, familiar e sem vícios. Lá eu tinha um quarto para mim. Como a casa estava sem terminar, o quarto não estava pintado, mas tinha uma escrivaninha e o meu colchão no chão para dormir, sem travesseiro, mas tudo bem, os começos sempre são difíceis.

A minha estada lá foi bem tranquila, sem problema nenhum nem nada para me sentir desconfortável. A Fátima cozinhava uma delícia e me atendia como se eu fosse o filho dela, até lavava as minhas roupas. Nossas conversas eram muito legais pois ela ficava muito interessada sobre a Venezuela e eu sentia que tinha alguém querendo ouvir o que eu tinha para dizer.

O Olímpio era mais calmo e calado, mas sempre muito educado. Ele, como a maioria dos idosos, queria que alguém ouvisse as suas histórias, eu era feliz falando com ele, a gente viajava, me sentia dentro de um conto, sobre tudo depois que eu falava com a Fátima e ela me dizia que tudo o que Olímpio falara era falso, a final ele sofria de Alzheimer e demência.

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